
Quando se fala em renda variável, as ações costumam ser o primeiro investimento que vem à cabeça. Ao mesmo tempo, também são as que mais geram medo em quem está começando, principalmente por causa das oscilações de preço e das histórias de perdas rápidas. Mas a verdade é que as ações não são vilãs — elas apenas exigem mais conhecimento, disciplina e visão de longo prazo.
Investir em ações significa participar diretamente do crescimento de empresas reais. Quando feito da forma correta, esse investimento pode ser uma excelente ferramenta de construção de patrimônio ao longo dos anos, inclusive para quem começa com pouco dinheiro.
O que são ações, na prática
Uma ação representa uma pequena parte do capital de uma empresa. Quando você compra uma ação, você se torna sócio daquela companhia, ainda que em uma fração muito pequena.
Se a empresa cresce, lucra mais e se valoriza, o preço da ação tende a subir ao longo do tempo. Além disso, algumas empresas distribuem parte do lucro aos acionistas por meio de dividendos, criando uma fonte de renda periódica.
Diferente da renda fixa, nas ações não existe promessa de rentabilidade. O retorno depende do desempenho da empresa, da economia e do comportamento do mercado.
Por que as ações existem
As ações existem como uma forma de as empresas captarem dinheiro para crescer. Ao abrir capital na Bolsa de Valores, a empresa vende pequenas partes de si mesma ao público e usa esse dinheiro para investir em novos projetos, expansão, tecnologia e contratação de pessoas.
Para o investidor, isso cria uma relação de troca: você fornece capital hoje e, em troca, participa dos resultados futuros da empresa.
Como funciona o ganho com ações
Existem duas formas principais de ganhar dinheiro com ações.
A primeira é pela valorização. Você compra uma ação por um determinado preço e, se a empresa evoluir ao longo do tempo, pode vendê-la mais cara no futuro.
A segunda é pelos dividendos, que são partes do lucro distribuídas aos acionistas. Algumas empresas pagam dividendos com frequência, enquanto outras preferem reinvestir o lucro para crescer mais rápido.
É importante entender que ações não são um investimento para ganhos rápidos e constantes. Elas fazem mais sentido quando o investidor pensa em anos, não em semanas ou meses.
Quanto dinheiro é necessário para investir em ações
Tradicionalmente, as ações são negociadas na Bolsa em lotes padrão de 100 unidades. Isso significa que, no mercado tradicional, para comprar uma ação que custa R$ 10, por exemplo, seria necessário investir cerca de R$ 1.000 de uma única vez.
Porém, para tornar o acesso à Bolsa mais democrático, existe o chamado mercado fracionado. Nesse mercado, é possível comprar ações uma a uma, sem a necessidade de adquirir o lote completo de 100 unidades. É justamente isso que possibilita que pessoas com pouco dinheiro consigam investir em ações hoje.
Na prática, com o mercado fracionado, é possível investir em ações a partir de aproximadamente R$ 5 a R$ 20, dependendo do preço da ação escolhida, já que o investimento mínimo passa a ser o valor de uma única cota.
Mesmo assim, embora o valor mínimo seja baixo, o mais recomendável é começar com algo entre R$ 200 e R$ 300, sempre respeitando sua realidade financeira. Esse valor permite investir com mais tranquilidade, reduzir o impacto de custos e construir o hábito de investir de forma recorrente.
O mais importante é entender que o mercado fracionado abriu as portas da Bolsa para quem ganha pouco. Hoje, o verdadeiro obstáculo para investir em ações não é mais o valor mínimo, mas sim a falta de planejamento e conhecimento.
Onde investir em ações
As ações são negociadas na Bolsa de Valores brasileira (B3), por meio de uma corretora de investimentos. Hoje, praticamente todas as corretoras permitem investir em ações sem cobrança de corretagem.
O processo básico é:
- Abrir conta em uma corretora
- Transferir o dinheiro
- Escolher a ação
- Enviar a ordem de compra
Tudo pode ser feito pelo celular ou computador.
Quais são os riscos das ações
As ações envolvem riscos maiores do que os investimentos de renda fixa. O principal deles é a volatilidade, ou seja, a variação de preços no curto prazo.
Além disso, existem outros riscos importantes:
- A empresa pode ter resultados ruins
- Mudanças econômicas podem afetar o setor
- Decisões de gestão podem prejudicar o negócio
Em casos extremos, uma empresa pode até quebrar, fazendo a ação perder grande parte do valor.
Por isso, ações não são indicadas para reserva de emergência nem para dinheiro que você pode precisar no curto prazo.
Ações x ETFs x Fundos Imobiliários
Comparando os três investimentos de renda variável:
- Ações oferecem maior potencial de retorno, mas também maior risco
- ETFs trazem diversificação automática e menor necessidade de análise
- Fundos Imobiliários geram renda mensal e tendem a ter menos volatilidade que ações individuais
Para quem está começando, investir apenas em ações pode ser arriscado. Muitos investidores iniciantes se sentem mais confortáveis começando por ETFs ou FIIs e, com o tempo, passam a incluir ações na carteira.
Qual é o perfil de investidor ideal para ações
As ações são mais indicadas para quem:
- Tem reserva de emergência formada
- Consegue lidar emocionalmente com oscilações
- Pensa no médio e longo prazo
- Quer construir patrimônio ao longo dos anos
Não é necessário ganhar muito dinheiro para investir em ações, mas é fundamental ter organização financeira e paciência.
Como começar a investir em ações do jeito certo
O melhor caminho para o iniciante não é tentar acertar a “ação da vez”, mas sim:
- Começar com poucas empresas sólidas
- Pensar em longo prazo
- Investir regularmente
- Evitar decisões baseadas em emoção ou notícias do momento
Aos poucos, com estudo e experiência, o investidor ganha confiança para expandir sua carteira.
Conclusão
As ações são um dos investimentos mais poderosos para quem pensa no futuro, mas também exigem mais responsabilidade do investidor. Elas não substituem a renda fixa, nem a reserva de emergência, mas complementam a estratégia de quem busca crescimento patrimonial ao longo do tempo.
Quando usadas com consciência, disciplina e visão de longo prazo, as ações deixam de ser um bicho de sete cabeças e se tornam uma ferramenta real de construção de riqueza — mesmo para quem ganha pouco.

